Quinta-Feira, 9 de Setembro de 2010
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Igreja Baptista do Barreiro


Reflexão


A morte

"Nada é tão seguro como a morte, e nada é tão inseguro como a hora da morte", disse o famoso Agostinho. Ainda que não tenhamos muito prazer em contemplar essa hora desconhecida, todos nós devemos aproveitar o ensejo de meditar sobre a nossa partida.
Para muitos a hora da morte inspira temores acima de qualquer confronto com poderes invisíveis, ou a experiência de entrar na presença de um rei ou imperador. Diante da morte, passam pela cabeça, como relâmpago, os deslizes e tropeços da vida, os erros e pecados não confessados ou perdoados. Invade a mente, antes de a chama apagar, um pressentimento de assombro, de juízo e de pavor. "Tudo é escuro e incerto", afirmou o historiador e escritor Edward Gibbon. Francis Spira, advogado italiano de renome, foi persuadido a aceitar as doutrinas da Reforma. Pregou o Evangelho com convicção e poder no estilo de Savanarola, de maneira que houve possibilidade de a Itália aderir ao movimento evangélico que sacudia e transformava o norte da Europa. Mas o poder da Igreja foi tal que os representantes do papa o prenderam e o ameaçaram de morte, a não ser que se retratasse. O papel na sua frente demandava apenas uma assinatura para ele ser livre, enquanto o Espírito Santo lutava na sua alma dizendo: "Não assine!" Porém Spira afixou a sua assinatura naquela folha. Salvou a vida terrena por poucos anos, mas perdeu a sua alma. Na hora da morte disse: "Meu pecado é maior do que a misericórdia de Deus. Eu neguei a Cristo, voluntariamente. Sinto que Ele não me reserva nenhuma esperança" (Imortalidade, p. 252).

Uma das verdades mais importantes na Bíblia é o modo que a vida neste mundo impacta a vida no mundo vindouro. A parábola dos talentos transmite uma mensagem inegável. Os privilégios que ganhamos agora serão cobrados no encontro com Deus. O servo que recebeu cinco talentos ganhou mais cinco. Na volta do seu senhor, ele ouviu palavras dóceis: "Muito bem, servo bom e fiel! Foste fiel no pouco, eu o porei sobre o muito, venha e participe da alegria do seu senhor" (Mateus 25:21 ). Observou Johann Tauler (1300–1361): "Tudo o que negligenciamos aqui será perdido para toda a eternidade... Por isso, todo homem deve frequentemente sondar o seu próprio coração e procurar diligentemente até descobrir a quem ele pertence, o que ele mais ama e em que mais pensa, se seria de Deus ou de si mesmo, ou coisas criadas, mortas ou vivas... Aquele que indaga essas realidades com real cuidado, seguramente, saberá à qual ele pertence; não será apenas uma suposição" (A diary of readings, Editora J. Baillie).

Para os que fielmente andaram nos passos do seu Deus, a morte perdeu o seu terror. Paulo chegou a questionar o que é que preferiria – sobreviver ou morrer. Disse: "Estou pressionado dos dois lados; desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor" (Filipenses 1:23).
John Wesley, incansável pregador do século 18 e fundador da denominação Metodista, ergueu os seus braços enfraquecidos num gesto de vitória, e elevando a voz debilitada em santo e indizível triunfo, gritou; "O melhor de tudo é que Deus está conosco" (Imortalidade, p. 253). John Bunyan, autor do Peregrino, declarou, "Ainda nos encontraremos para sempre, para cantar a nova canção e estarmos felizes eternamente num mundo sem fim. Tome-me, pois estou indo para Ti" (Imortalidade, p. 256).

CONCLUSÃO

Ainda que seja impossível descrever como sentiremos nesses últimos instantes em que o nosso cérebro parará de funcionar, acredito que seria válido escutar as vozes dos que surgem das sombras da morte. A morte de um ateu, como o conhecido francês Voltaire, tem uma mensagem sombria para nós refletirmos antes do momento de partir. "Foi abandonado por Deus e pelos homens", e então disse: "Doutor, dar-te-ei metade do que possuo se me deres mais seis meses de vida". O médico respondeu: "Senhor, não podes viver nem seis semanas". Voltaire respondeu: "Então vou para o inferno", e logo depois expirou.

O temor é o princípio da sabedoria. Uma reflexão sadia sobre como será a última hora da sua vida na terra poderá ser um sábio exercício de inteligência preventiva. Graças à bondade de Deus, os que se entregam a Ele pela fé, recebendo sua oferta de perdão em Cristo, morrem com esperança e paz. 



 



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"A fé aumenta pela oração, é fortalecida pelo estudo da Palavra e cumpre-se quando submetemo-nos diariamente ao Senhor Jesus."
J. Charles Stern

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